Mudanças entre as edições de "Wanderley Meyer"

De Wiki Cambuí
Ir para: navegação, pesquisa
 
Linha 36: Linha 36:
  
 
''Tito Lívio Meyer'', 25 de Janeiro de 2014.
 
''Tito Lívio Meyer'', 25 de Janeiro de 2014.
 +
 +
== Referências ==
 +
 +
[[ACLAC, patrono Wanderley Meyer]]

Edição atual tal como às 19h01min de 3 de outubro de 2015

Wanderley Meyer nasceu em Cambuí, em 21 de fevereiro de 1936, 3º dos 5 filhos de Josefina Meyer e do farmacêutico e poeta Sebastião Meyer, que também nos honra sendo patrono nesta academia.

Iniciou seus estudos no querido Grupo Escolar Dr. Carlos Cavalcanti, onde concluiu o primário em 1946 e teve como professoras Déia Morais e Maria de Lourdes Magalhães. Ainda não existia colégio aqui em Cambuí e Wanderley, como muitos outros, iniciou o ginásio em Pouso Alegre, no Colégio São José, e concluiu no Colégio São Luís, em Bragança Paulista.

Começou a trabalhar na agência Cambuí do Banco Moreira Salles, de onde foi transferido para São Paulo para concluir o científico. Neste período, trabalhou pela manhã como vigilante no Colégio São Bento, a tarde como correntista na agência Santa Cecília do futuro Unibanco e estudou a noite no Colégio Maria José, onde se formou em 1955.

Mudou-se para Alfenas para cursar Farmácia na EFOA, morando com outros cambuienses na República Caminho das Andorinhas, próximo ao colégio das freiras, cujo hábito inspirou este nome. Além da faculdade, fez um curso de matemática em Guaxupé e deu aulas no Colégio das freiras pela manhã e no Colégio do Roque à noite. Graduou-se farmacêutico e bioquímico em 1959, aos 24 anos.

Após um curso de Direção Escolar e de Ciências em Belo Horizonte, tornou-se diretor do recém criado Colégio Antônio Felipe de Salles, em 1961. Com Dr. Pedro Junqueira Ferraz e outros membros da Sociedade Mantenedora, concluiu a transformação deste grande empreendimento da cidade em uma Escola Estadual. A cerimônia de inauguração foi em 15 de junho de 1961.

Após passar no concurso do Estado, optou por deixar a direção e dedicar-se ao Magistério de Matemática, de onde foi afastado por motivos políticos, segundo ele mesmo, próximo a eleição de 1962.

Wanderley trabalhou na Pharmácia São José com seu pai e, mais tarde, abriu, com seu irmão Braz Meyer, a Drogaria Cambuí, onde aposentou-se como farmacêutico em 1986. Como comerciante, ainda teve a Sensação Eletrodomésticos, a Agência de Correios Franquiada Praça Maximiano e a loja Serra Brasil.

Wanderley também participou ativamente de inúmeras atividades comunitárias da Paróquia de Cambuí, das quais destacamos a construção da Fundação Geriátrica Padre Antônio Pascoal, o asilo, que presidiu por vários anos.

Wanderley Meyer comprou o Cine Cambuí em 1960 e, tirando alguns tropeços nos anos 80 e 90, o manteve até hoje.O seu incansável trabalho com o Cine Cambuí é a principal razão de ser o meu escolhido como patrono desta academia, mesmo porque o cinema também é a razão de ter sido eleito como acadêmico.

O Cinema em Cambuí existe pelo menos desde 1912 e foi criado pelo Sr. José Luis Tavares da Silveira, patrono desta academia. Mesmo não sendo ininterruptos, seus mais de 100 anos fez história na cidade e isto está refletido nesta academia, em seus membros e em seus patronos.

Wanderley desde o princípio se preocupou melhorar e modernizar o cinema. Em seu primeiro ano reformou o prédio, construindo um Pullman, uma marquise na entrada e banheiros, recintos até então inexistentes. O cinema passou a ter capacidade de 400 pessoas.

Não satisfeito, construiu um novo prédio em 1972, em apenas nove meses. A inauguração foi em 08 de dezembro de 1973, com a exibição gratuita do filme Sansão e Dalila. O Cine Cambuí agora tem 750 poltronas estofadas, declive natural e uma tela de 16 metros de largura, uma das maiores do país. Este cinema funcionou até 1991.

Wanderley reabriu o Cine Cambuí com seus filhos, em 17 de dezembro de 1999. Uma nova reforma reduziu o seu tamanho original para 225 lugares. Os novos tempos exigem mais da qualidade e não da quantidade. Este novo Cine Cambuí já completou 14 anos, está totalmente reformulado e agora inicia o seu processo de digitalização. Com isto, Cambuí continuará a ter o privilégio de pertencer aos 5% das cidades brasileiras que contam com uma sala de cinema. São praticamente 50 anos de dedicação a uma arte que tem o poder de fazer as pessoas sonharem, juntas, ora fugindo da realidade, ora mergulhando nela.

Em uma cidade do tamanho de Cambuí, o cinema não é somente o espaço dos filmes e Wanderley sempre promoveu ou apoiou todo tipo de atividade cultural. O Cine Teatro Cambuí teve a honra de ser o palco de shows memoráveis como o do Cassino de Sevilha, em 1960, de nosso patrono Paulo Moura e a Fina Flor do Samba, em novembro de 1976, e dos mestres Cartola e Nelson Cavaquinho, em maio de 1977, entre outros. Além disso, Festivais da Canção, Show de Talentos, Formaturas da Escola, Concurso de Miss e muitos outros eventos tiveram lugar no Cine Cambuí. Uma lembrança especial ao cineclube organizado nos anos 80 pelo acadêmico João Eiras no Movimento Cultural Cambuiense.

Wanderley também convidava, no dia das crianças, as escolas da cidade para uma sessão gratuita de um Festival Tom e Jerry. Na época a cidade contava com apenas 3 escolas e 1 ou 2 sessões com o cinema transbordando de crianças era suficiente para fazer a festa da garotada. O Cine Cambuí resgatou esta tradição e realiza, já há 14 anos, o agora “Mês da Criança”, oferecendo uma sessão de cinema gratuita para todas as crianças de Cambuí e do Córrego, de todas as escolas da cidade e da zona rural. São quase 3000 crianças.

Wanderley casou-se em 27 de janeiro de 1962 com Marta Maria de Moraes Meyer, com quem viveu por praticamente 50 anos. Faleceu em 14 de janeiro de 2012 aos 75 anos e nos deixou, além de seu exemplo de vida, 4 filhos e 4 netos, um deles ainda por nascer.

Wanderley Meyer, meu pai, é hoje o patrono da cadeira 22 de nossa ainda muito jovem Academia Cambuiense de Letras, Artes e Ciências. Como uma tela em branco para um pintor ou uma página em branco ao poeta e ao escritor, a história desta academia ainda será escrita, por nós.

No Cinema, a tela é sempre branca. É a luz que a ela dá vida e a preenche com os sonhos que quisermos sonhar. Que, junto com outros tão ilustres patronos, Wanderley possa ser esta luz que ilumina o nosso futuro e nos ajuda a imaginar os nossos projetos, a projetar os nossos sonhos e a construir uma academia que faça diferença em nossas vidas e na vida de nossa cidade.

Tito Lívio Meyer, 25 de Janeiro de 2014.

Referências[editar]

ACLAC, patrono Wanderley Meyer