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		<title>Wiki Cambuí - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<updated>2026-04-23T03:37:34Z</updated>
		<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1465</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-26T11:52:22Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950''', organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* '''Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade''', monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* '''Biogeografia de uma cidade mineira''', Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* '''Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais''', Waldemar de Almeida Barbosa, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1464</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1464"/>
				<updated>2015-10-26T11:51:04Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* '''A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950''', organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* '''Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade''', monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* '''Biogeografia de uma cidade mineira''', Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* '''Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais''', Waldemar de Almeida Barbosa, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1463</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1463"/>
				<updated>2015-10-26T11:49:47Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Testes&amp;diff=1462</id>
		<title>Testes</title>
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				<updated>2015-10-26T11:48:44Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/250px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1461</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-26T11:48:02Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1460</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1460"/>
				<updated>2015-10-26T11:47:05Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1459</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1459"/>
				<updated>2015-10-26T11:44:12Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'' (atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''(atribuída a Cornélio Lambert)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960'' (Lázaro Silva, Fio)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1458</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1458"/>
				<updated>2015-10-26T11:42:29Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX'', foto atribuída a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade'', foto atribuída a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_pasto_do_Laudelino&amp;diff=1457</id>
		<title>O pasto do Laudelino</title>
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				<updated>2015-10-26T10:15:30Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pasto que Eisler e o Climalton conheciam bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1 – Casa do vô Laudelino e da vó Bel; 2 – Casinha; 3 – Balanço do pé de araticum; 4 – Gaverna do Fantasma. Eu escrevi ''gaverna''; 5 – Valo que separava o pasto do outro terreno; 6 - Bambuzal; 7 – Rio Amazonas; 8 – Horta; 9 – Barranco; 10 – Deserto (campo de pouso de disco voador); 11 – Ipê; 12 – Lagoa. Na lagoa assa pinho. No forno, há sapão. 13 – Tesouro de pirata enterrado; 14 – Pomar e canavial; 15 – Casas dos outros; 16 – Árvores bem altas. 17 – Avenida Tiradentes; 18 – Rua Padre Caramuru; 19 – Buraco de tatu; 20 – Bica ou cascata (altas fontes). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agradecimentos: ''Lilian Eiras, Tito e Ednir''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.google.com.br/maps/place/Cambu%C3%AD,+MG/@-22.6165882,-46.0551595,263m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x94cbfa0a43ab421d:0x4ca7704131a32533!6m1!1e1\ O que sobrou do pasto]&lt;/div&gt;</summary>
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		<title>O pasto do Laudelino</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pasto que Eisler e o Climalton conheciam bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1 – Casa do vô Laudelino e da vó Bel; 2 – Casinha; 3 – Balanço do pé de araticum; 4 – Gaverna do Fantasma. Eu escrevi ''gaverna''; 5 – Valo que separava o pasto do outro terreno; 6 - Bambuzal; 7 – Rio Amazonas; 8 – Horta; 9 – Barranco; 10 – Deserto (campo de pouso de disco voador); 11 – Ipê; 12 – Lagoa. Na lagoa assa pinho. No forno, há sapão. 13 – Tesouro de pirata enterrado; 14 – Pomar e canavial; 15 – Casas dos outros; 16 – Árvores bem altas. 17 – Avenida Tiradentes; 18 – Rua Padre Caramuru; 19 – Buraco de tatu; 20 – Bica ou cascata (altas fontes). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agradecimentos: ''Lilian Eiras, Tito e Ednir''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.google.com.br/maps/place/Cambu%C3%AD,+MG/@-22.6165882,-46.0551595,263m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x94cbfa0a43ab421d:0x4ca7704131a32533!6m1!1e1\ O que sobrou do pasto]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<title>O pasto do Laudelino</title>
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				<updated>2015-10-26T10:13:52Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pasto que Eisler e o Climalton conheciam bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1 – Casa do vô Laudelino e da vó Bel; 2 – Casinha; 3 – Balanço do pé de araticum; 4 – Gaverna do Fantasma. Eu escrevi ''gaverna''; 5 – Valo que separava o pasto do outro terreno; 6 - Bambuzal; 7 – Rio Amazonas; 8 – Horta; 9 – Barranco; 10 – Deserto (campo de pouso de disco voador); 11 – Ipê; 12 – Lagoa. Na lagoa assa pinho. No forno, há sapão. 13 – Tesouro de pirata enterrado; 14 – Pomar e canavial; 15 – Casas dos outros; 16 – Árvores bem altas. 17 – Avenida Tiradentes; 18 – Rua Padre Caramuru; 19 – Buraco de tatu; 20 – Bica ou cascata (altas fontes). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agradecimentos: ''Lilian Eiras, Tito e Ednir''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[https://www.google.com.br/maps/place/Cambu%C3%AD,+MG/@-22.6165882,-46.0551595,263m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x94cbfa0a43ab421d:0x4ca7704131a32533!6m1!1e1\ O que sobrou do pasto]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://www.google.com.br/maps/place/Cambu%C3%AD,+MG/@-22.6165882,-46.0551595,263m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x94cbfa0a43ab421d:0x4ca7704131a32533!6m1!1e1&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_pasto_do_Laudelino&amp;diff=1454</id>
		<title>O pasto do Laudelino</title>
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				<updated>2015-10-26T10:13:30Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pasto que Eisler e o Climalton conheciam bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1 – Casa do vô Laudelino e da vó Bel; 2 – Casinha; 3 – Balanço do pé de araticum; 4 – Gaverna do Fantasma. Eu escrevi ''gaverna''; 5 – Valo que separava o pasto do outro terreno; 6 - Bambuzal; 7 – Rio Amazonas; 8 – Horta; 9 – Barranco; 10 – Deserto (campo de pouso de disco voador); 11 – Ipê; 12 – Lagoa. Na lagoa assa pinho. No forno, há sapão. 13 – Tesouro de pirata enterrado; 14 – Pomar e canavial; 15 – Casas dos outros; 16 – Árvores bem altas. 17 – Avenida Tiradentes; 18 – Rua Padre Caramuru; 19 – Buraco de tatu; 20 – Bica ou cascata (altas fontes). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agradecimentos: ''Lilian Eiras, Tito e Ednir''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[O que sobrou do pasto]&lt;br /&gt;
https://www.google.com.br/maps/place/Cambu%C3%AD,+MG/@-22.6165882,-46.0551595,263m/data=!3m1!1e3!4m2!3m1!1s0x94cbfa0a43ab421d:0x4ca7704131a32533!6m1!1e1&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1446</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1446"/>
				<updated>2015-10-26T02:17:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1445</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1445"/>
				<updated>2015-10-26T02:14:48Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 4 – A cidade na década de 1930''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1444</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1444"/>
				<updated>2015-10-26T02:12:53Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 4 – A cidade na década de 1930''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
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		<title>Página principal</title>
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				<updated>2015-10-26T02:11:36Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Novo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Tombamento do Jardim]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/250px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''A foto mais antiga de Cambuí''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Livros ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[João Belisário, sua vida e seus crimes]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e8/Belisariocapa.jpg/180px-Belisariocapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Almanaque de Cambuí]] &lt;br /&gt;
** [[Os melhores filmes de todos os tempos de 1957 a 1960]], ''novo''&lt;br /&gt;
** [[Colete preto]]'', novo''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/180px-Accapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Wikipédia de Cambuí ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/180px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Academia de Letras, Artes e Ciências de Cambuí (ACLAC'''), fundada em 16 de julho de 2011, tem como sua maior missão a preservação da cultura e da memória de Cambuí em todos os seus aspectos. Além disso, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da cidade por meio das mais diversas ações e da participação nos movimentos da sociedade civil que apontem para a elevação do patrimônio cultural e de sua ampliação em direção a todos os cidadãos. É neste sentido que este trabalho de construção da '''Wikipédia de Cambuí''', iniciada em 23 de setembro de 2015,  vem dar forma e consistência a seu projeto existencial. Por meio deste instrumento pretende-se acumular o maior número possível de informações sobre a história e a cultura do município e torna-las disponíveis ao público, estimulando a todos que tomem parte desta empreitada e a ampliem com sua contribuição.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''Flávio Ferraz'', presidente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Códigos secretos'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto de Sebastião Meyer]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto do tio Onofre]] Rangel&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
---&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo]], por João Antonio Guimenti&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Francisco Cândido de Brito Lambert]], o Coronel Lambert&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b5/CelLambert.jpg/120px-CelLambert.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuhy, 1925]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/Cambui1925b.jpg/128px-Cambui1925b.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O Montanhês]], &amp;quot;A Montanha&amp;quot; satiriza a situação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[As mortes de Dr. Carlos Cavalcanti]], por enquanto, 3 versões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Lista dos [[Jornais]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí, criação do município]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Receitas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Rosquinhas]]&lt;br /&gt;
* [[Virado de banana]]&lt;br /&gt;
* [[Quibebe]]&lt;br /&gt;
* [[Doce de abóbora]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação &amp;amp; Ciência &amp;amp; Tecnologia ==&lt;br /&gt;
* [[Fotos antigas de Cambuí com GPS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Grupo Escolar Dr. Carlos Cavalcanti]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Lagartas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Eclipses do Sol]], de 1907 a 2840.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Passeando pelas estradas de Cambuí pela Street View]], um passeio com total segurança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colégio Estadual Antônio Felipe de Salles, CEAFS, 50 anos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Literatura ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[A Enchente, João Batista Teixeira]]&lt;br /&gt;
* [[Lendas urbanas]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== E ainda  ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* listas dos [[Padres]] que trabalharam e dos [[Padres nascidos em Cambuí]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Prefeitos - de 1892 a 1947]], [[Prefeitos - de 1947 até hoje]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí na internet]]; [[Lembranças de Cambuí, Facebook]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cine Cambuí]];  [[Apelidos]];  [[Os primeiros]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O nome da praça Coronel Justiniano Quintino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre a ACLAC ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[ACLAC - Estatuto]], [[ACLAC - Patronos e acadêmicos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* textos dos acadêmicos sobre os patronos ''Antônio Cândido de Mello e Souza, Bento Bueno de Morais, Cândido de Brito Lambert, Felisindo Finamor, Helena Maria Carvalho Ferraz, Henderson Antônio Braz de Morais, João Batista Corrêa, João Moreira Salles, José dos Reis, João Marinho, Lázaro Silva, Levindo Furquim Lambert, Maria do Carmo Nascimento, Neuman Pereira Fanuchi, Olímpio Nogueira Figueiredo e Wanderley Meyer''. Procure o texto em ''Pesquisa'', no alto à direita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.facebook.com/groups/992410460792401/\ ACLAC no Facebook]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sugestão:''' [[Como escrever para esta wikipédia]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consulte também o [//meta.wikimedia.org/wiki/Help:Contents Manual de Usuário] para informações de como usar o software wiki.&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:Configuration_settings Lista de opções de configuração]&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:FAQ FAQ do MediaWiki]&lt;br /&gt;
* [https://lists.wikimedia.org/mailman/listinfo/mediawiki-announce Lista de discussão com avisos de novas versões do MediaWiki]&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Localisation#Translation_resources Traduza o MediaWiki para seu idioma]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Novo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Tombamento do Jardim]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/250px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A foto mais antiga de Cambuí&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Livros ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[João Belisário, sua vida e seus crimes]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e8/Belisariocapa.jpg/180px-Belisariocapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Almanaque de Cambuí]] &lt;br /&gt;
** [[Os melhores filmes de todos os tempos de 1957 a 1960]], ''novo''&lt;br /&gt;
** [[Colete preto]]'', novo''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/180px-Accapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Wikipédia de Cambuí ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/180px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Academia de Letras, Artes e Ciências de Cambuí (ACLAC'''), fundada em 16 de julho de 2011, tem como sua maior missão a preservação da cultura e da memória de Cambuí em todos os seus aspectos. Além disso, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da cidade por meio das mais diversas ações e da participação nos movimentos da sociedade civil que apontem para a elevação do patrimônio cultural e de sua ampliação em direção a todos os cidadãos. É neste sentido que este trabalho de construção da '''Wikipédia de Cambuí''', iniciada em 23 de setembro de 2015,  vem dar forma e consistência a seu projeto existencial. Por meio deste instrumento pretende-se acumular o maior número possível de informações sobre a história e a cultura do município e torna-las disponíveis ao público, estimulando a todos que tomem parte desta empreitada e a ampliem com sua contribuição.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''Flávio Ferraz'', presidente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Códigos secretos'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto de Sebastião Meyer]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto do tio Onofre]] Rangel&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
---&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo]], por João Antonio Guimenti&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Francisco Cândido de Brito Lambert]], o Coronel Lambert&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b5/CelLambert.jpg/120px-CelLambert.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuhy, 1925]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/Cambui1925b.jpg/128px-Cambui1925b.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O Montanhês]], &amp;quot;A Montanha&amp;quot; satiriza a situação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[As mortes de Dr. Carlos Cavalcanti]], por enquanto, 3 versões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Lista dos [[Jornais]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí, criação do município]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Receitas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Rosquinhas]]&lt;br /&gt;
* [[Virado de banana]]&lt;br /&gt;
* [[Quibebe]]&lt;br /&gt;
* [[Doce de abóbora]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação &amp;amp; Ciência &amp;amp; Tecnologia ==&lt;br /&gt;
* [[Fotos antigas de Cambuí com GPS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Grupo Escolar Dr. Carlos Cavalcanti]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Lagartas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Eclipses do Sol]], de 1907 a 2840.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Passeando pelas estradas de Cambuí pela Street View]], um passeio com total segurança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colégio Estadual Antônio Felipe de Salles, CEAFS, 50 anos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Literatura ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[A Enchente, João Batista Teixeira]]&lt;br /&gt;
* [[Lendas urbanas]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== E ainda  ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* listas dos [[Padres]] que trabalharam e dos [[Padres nascidos em Cambuí]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Prefeitos - de 1892 a 1947]], [[Prefeitos - de 1947 até hoje]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí na internet]]; [[Lembranças de Cambuí, Facebook]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cine Cambuí]];  [[Apelidos]];  [[Os primeiros]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O nome da praça Coronel Justiniano Quintino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre a ACLAC ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[ACLAC - Estatuto]], [[ACLAC - Patronos e acadêmicos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* textos dos acadêmicos sobre os patronos ''Antônio Cândido de Mello e Souza, Bento Bueno de Morais, Cândido de Brito Lambert, Felisindo Finamor, Helena Maria Carvalho Ferraz, Henderson Antônio Braz de Morais, João Batista Corrêa, João Moreira Salles, José dos Reis, João Marinho, Lázaro Silva, Levindo Furquim Lambert, Maria do Carmo Nascimento, Neuman Pereira Fanuchi, Olímpio Nogueira Figueiredo e Wanderley Meyer''. Procure o texto em ''Pesquisa'', no alto à direita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.facebook.com/groups/992410460792401/\ ACLAC no Facebook]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sugestão:''' [[Como escrever para esta wikipédia]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consulte também o [//meta.wikimedia.org/wiki/Help:Contents Manual de Usuário] para informações de como usar o software wiki.&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:Configuration_settings Lista de opções de configuração]&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Manual:FAQ FAQ do MediaWiki]&lt;br /&gt;
* [https://lists.wikimedia.org/mailman/listinfo/mediawiki-announce Lista de discussão com avisos de novas versões do MediaWiki]&lt;br /&gt;
* [//www.mediawiki.org/wiki/Special:MyLanguage/Localisation#Translation_resources Traduza o MediaWiki para seu idioma]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=P%C3%A1gina_principal&amp;diff=1441</id>
		<title>Página principal</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=P%C3%A1gina_principal&amp;diff=1441"/>
				<updated>2015-10-26T02:10:51Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Novo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Tombamento do jardim]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/250px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A foto mais antiga de Cambuí&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Livros ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[João Belisário, sua vida e seus crimes]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e8/Belisariocapa.jpg/180px-Belisariocapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Almanaque de Cambuí]] &lt;br /&gt;
** [[Os melhores filmes de todos os tempos de 1957 a 1960]], ''novo''&lt;br /&gt;
** [[Colete preto]]'', novo''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/180px-Accapa.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== A Wikipédia de Cambuí ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/180px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Academia de Letras, Artes e Ciências de Cambuí (ACLAC'''), fundada em 16 de julho de 2011, tem como sua maior missão a preservação da cultura e da memória de Cambuí em todos os seus aspectos. Além disso, tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da cidade por meio das mais diversas ações e da participação nos movimentos da sociedade civil que apontem para a elevação do patrimônio cultural e de sua ampliação em direção a todos os cidadãos. É neste sentido que este trabalho de construção da '''Wikipédia de Cambuí''', iniciada em 23 de setembro de 2015,  vem dar forma e consistência a seu projeto existencial. Por meio deste instrumento pretende-se acumular o maior número possível de informações sobre a história e a cultura do município e torna-las disponíveis ao público, estimulando a todos que tomem parte desta empreitada e a ampliem com sua contribuição.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
''Flávio Ferraz'', presidente&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== História ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Códigos secretos'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto de Sebastião Meyer]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O código secreto do tio Onofre]] Rangel&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
---&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo]], por João Antonio Guimenti&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Francisco Cândido de Brito Lambert]], o Coronel Lambert&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b5/CelLambert.jpg/120px-CelLambert.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuhy, 1925]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a3/Cambui1925b.jpg/128px-Cambui1925b.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O Montanhês]], &amp;quot;A Montanha&amp;quot; satiriza a situação&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[As mortes de Dr. Carlos Cavalcanti]], por enquanto, 3 versões. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Lista dos [[Jornais]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí, criação do município]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Receitas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Rosquinhas]]&lt;br /&gt;
* [[Virado de banana]]&lt;br /&gt;
* [[Quibebe]]&lt;br /&gt;
* [[Doce de abóbora]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Educação &amp;amp; Ciência &amp;amp; Tecnologia ==&lt;br /&gt;
* [[Fotos antigas de Cambuí com GPS]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Grupo Escolar Dr. Carlos Cavalcanti]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Lagartas]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Eclipses do Sol]], de 1907 a 2840.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Passeando pelas estradas de Cambuí pela Street View]], um passeio com total segurança.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Colégio Estadual Antônio Felipe de Salles, CEAFS, 50 anos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Literatura ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[A Enchente, João Batista Teixeira]]&lt;br /&gt;
* [[Lendas urbanas]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== E ainda  ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* listas dos [[Padres]] que trabalharam e dos [[Padres nascidos em Cambuí]];&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Prefeitos - de 1892 a 1947]], [[Prefeitos - de 1947 até hoje]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cambuí na internet]]; [[Lembranças de Cambuí, Facebook]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[Cine Cambuí]];  [[Apelidos]];  [[Os primeiros]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[O nome da praça Coronel Justiniano Quintino]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Sobre a ACLAC ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [[ACLAC - Estatuto]], [[ACLAC - Patronos e acadêmicos]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* textos dos acadêmicos sobre os patronos ''Antônio Cândido de Mello e Souza, Bento Bueno de Morais, Cândido de Brito Lambert, Felisindo Finamor, Helena Maria Carvalho Ferraz, Henderson Antônio Braz de Morais, João Batista Corrêa, João Moreira Salles, José dos Reis, João Marinho, Lázaro Silva, Levindo Furquim Lambert, Maria do Carmo Nascimento, Neuman Pereira Fanuchi, Olímpio Nogueira Figueiredo e Wanderley Meyer''. Procure o texto em ''Pesquisa'', no alto à direita.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://www.facebook.com/groups/992410460792401/\ ACLAC no Facebook]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Sugestão:''' [[Como escrever para esta wikipédia]] &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Consulte também o [//meta.wikimedia.org/wiki/Help:Contents Manual de Usuário] para informações de como usar o software wiki.&lt;br /&gt;
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		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/250px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/180px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0d/Tpfoto2.jpg/512px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb0/0d/Tpfoto2.jpg/512px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<title>Testes</title>
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				<updated>2015-10-26T02:07:09Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb0/0d/Tpfoto2.jpg/180px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

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		<title>Testes</title>
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				<updated>2015-10-26T02:06:51Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg/180px-Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1434</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1434"/>
				<updated>2015-10-26T02:05:27Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira'', da ACLAC&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Almanaque_de_Cambu%C3%AD&amp;diff=1433</id>
		<title>Almanaque de Cambuí</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Almanaque_de_Cambu%C3%AD&amp;diff=1433"/>
				<updated>2015-10-25T17:33:54Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;'''Luís Carlos Silva Eiras'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Amarcord!''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;''Para Eisler e Climalton, que conheciam bem o Pasto do Laudelino''&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem que ter um começo e este começo é um fim como se verá. Numa tarde, dois senhores com mais de 60 anos, dois primos, dois grandes amigos, se encontraram depois de muitos anos e a alegria do encontro foi tão grande, que eles se esqueceram de lembrar porque estavam se encontrando: o pai de um deles, tio e também grande amigo do outro, tinha morrido e no dia seguinte seria a sua missa de sétimo dia.&lt;br /&gt;
Os dois se sentaram à mesa e, enquanto a esposa do que tinha perdido do pai servia o lanche, eles conversaram durante quatro horas sobre a infância que passaram juntos. Amigos, filmes, as travessuras, as correrias, a escola, as notas, os avós, as festas, as aventuras, os gibis, a cidade, as mudanças de pensamento. Riram muito até o tempo esfriou, apareceram outros compromissos e marcaram um almoço para o dia seguinte, quando, depois, iriam para a missa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De madrugada um depois morreu. O outro ficou para escrever isto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# [[O pasto do Laudelino]]&lt;br /&gt;
# [[Ciência cambuiense]]&lt;br /&gt;
# [[Dos perigos das metáforas visuais]]&lt;br /&gt;
# [[Boa tarde, seu Lázaro!]]&lt;br /&gt;
# [[Não custa nada / Preencher formalidade (*)]]&lt;br /&gt;
# [[O cambuiense voador]]&lt;br /&gt;
# [[Viagem à Lua]]&lt;br /&gt;
# [[Fale alemão com rapidez]]&lt;br /&gt;
# [[O código secreto do tio Onofre]]&lt;br /&gt;
# [[O nosso primeiro astronauta]]&lt;br /&gt;
# [[A primeira lembrança]]&lt;br /&gt;
# [[Os caçadores de fantasma]]&lt;br /&gt;
# [[O gerador de sinais (nas ondas da Nacional)]]&lt;br /&gt;
# [[Café com leite]]&lt;br /&gt;
# [[O relógio da Igreja]]&lt;br /&gt;
# [[O balão]]&lt;br /&gt;
# [[The dark side of the moon]]&lt;br /&gt;
# [[O romance de dona Juliana]]&lt;br /&gt;
# [[O tratado das Tordesilhas]]&lt;br /&gt;
# [[Lili não vem]]&lt;br /&gt;
# [[O comunista]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[O rei do movimento]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[A compensação]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[Os melhores filmes de todos os tempos de 1957 a 1960]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[Colete preto]]'', novo''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Os_ca%C3%A7adores_de_fantasma&amp;diff=1432</id>
		<title>Os caçadores de fantasma</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Os_ca%C3%A7adores_de_fantasma&amp;diff=1432"/>
				<updated>2015-10-25T17:33:06Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;São Paulo, anos 40, bairro do Brás, um sábado à noite. Dois cambuienses estão bebendo num bar, quando um deles tem uma ideia:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Zé, vamos caçar o fantasma, que está aparecendo lá no Cemitério da Penha? Os jornais só falam nisso. Se a gente prende o fantasma, nós vamos ficar famosos. Nós vamos ser o orgulho de Cambuí!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ideia pareceu boa. Passaram na pensão onde moravam, pegaram as armas – uma deles uma beretta – pegaram o bonde e foram para o Cemitério da Penha.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em lá chegando, pularam o muro e ficaram atrás de uns túmulos, aguardando o fantasma. O tempo passou, o fogo passou, o dia começou a clarear e nada do fantasma aparecer.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Então resolveram ir embora. Mas aí surgiu um problema: a cavalaria da Força Pública estava fazendo a ronda ao redor de Cemitério. Se pegasse os dois, eles é que seriam o fantasma da Penha!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Então, cruzaram o Cemitério para saltar o muro do lado oposto, antes que a cavalaria desse a volta. E como era domingo de manhã, os bondes eram poucos, tiveram que andar um bocado até voltar para a pensão no Brás. Com os sapatos sujos de terra das covas rasas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Um deles, Wilson, voltou para Cambuí para ser oficial de Justiça. O outro, Zé, ficou mais uns tempos em São Paulo e quando voltou para Cambuí virou '''Zé Montanha''', por causa do jornal. E o resto da vida, quando se encontravam, se divertiam contando esta história. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em tempo: o fantasma tinha um lado muito prático: fazer os moradores ao redor do Cemitério venderem seus imóveis a qualquer preço.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| &lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/Acca%C3%A7adoresdefantasma1.jpg||&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Acca%C3%A7adoresdefantasma2.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Zé Montanha e Wilson, os ''ghostbusters''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=A_primeira_lembran%C3%A7a&amp;diff=1431</id>
		<title>A primeira lembrança</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=A_primeira_lembran%C3%A7a&amp;diff=1431"/>
				<updated>2015-10-25T17:32:44Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;É noite no final de 1956. Você tem seis anos, nasceu em Cambuí, em 1950, mas morava em São Paulo desde 1951. Você está dentro do ônibus com sua mãe, depois de um dia inteiro por estradas de terra. As pessoas sentadas nas poltronas da esquerda se levantam para ver as luzes da cidade, pequenos pontos amarelos vistos através das janelas. É a sua mais antiga lembrança. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, na casa da tia Ercília, você conhece também sua tia Teresa, seus primos Zezé e Pida, e seu primo Lúcio, um pouco mais velho do que você, lhe oferece rapadura – que você detestou. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, termina o primeiro dia de que é possível lembrar desse período, que vai durar até o final de 1960, quando numa tarde você vai sair numa Kombi para nunca mais voltar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_nosso_primeiro_astronauta&amp;diff=1430</id>
		<title>O nosso primeiro astronauta</title>
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				<updated>2015-10-25T17:32:17Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;1959. A NASA anuncia os sete astronautas do projeto Mercury, os sete americanos que primeiro subirão ao espaço: ''Walter Schirra, Donald Slayton, John Glenn, Scott Carpenter, Alan Shepard, Virgil Grissom e Gordon Cooper''. O primeiro voo só ocorre em 1961 e assim mesmo Alan Shepard ficando só 15 minutos em órbita. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/38/Acmercury7.jpg/256px-Acmercury7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse meio tempo, uma façanha extraordinária ocorre também em Cambuí. Com as obras da '''Empresa Construtora Brasil''' na Fernão Dias, o tempo de ida a São Paulo, das normais 12 horas em tempo sem chuva, está diminuindo. A cada dia, alguém consegue fazer o trajeto em menos tempo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até que Arnaldo consegue ir e voltar no mesmo dia. Saiu bem cedo de manhã e ao anoitecer já estava de volta. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
À noite, no jardim, é cercado por muitas pessoas, quando conta e conta e reconta a viagem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nosso primeiro astronauta.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_c%C3%B3digo_secreto_do_tio_Onofre&amp;diff=1429</id>
		<title>O código secreto do tio Onofre</title>
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				<updated>2015-10-25T17:31:58Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;No dia 23 de junho de 2012, descobri, graças a ajuda de meus primos Venilton e Enivaldo, o código secreto do meu amigo e tio Onofre Rangel. Venilton é filho do tio Onofre e Enivaldo trabalhou com ele.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Meu tio usava o código de sua loja de roupas para marcar o valor de custo, e desde menino me perguntava que sentido poderia ter aqueles ''Xs'', ''Ns'' e ''Hs'' escritos a lápis nas etiquetas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O código é CORINTHASX:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 C = 1&lt;br /&gt;
 O = 2&lt;br /&gt;
 R = 3&lt;br /&gt;
 I = 4&lt;br /&gt;
 N = 5&lt;br /&gt;
 T = 6&lt;br /&gt;
 H = 7&lt;br /&gt;
 A = 8&lt;br /&gt;
 S = 9&lt;br /&gt;
 X = 0&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Dia 23 de junho de 2012 foi centenário de Alan Turing.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Fale_alem%C3%A3o_com_rapidez&amp;diff=1428</id>
		<title>Fale alemão com rapidez</title>
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				<updated>2015-10-25T17:31:39Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Conversando com meu pai sobre a II Guerra, ele me ensinou a falar alemão num instante. Basta substituir as vogais por outros sons: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
 A = ais&lt;br /&gt;
 E = enter&lt;br /&gt;
 I = inis&lt;br /&gt;
 O = omber &lt;br /&gt;
 U = ulft&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, os primeiros versos do '''Hino de Cambuí''': &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Cambuí, terra querida idolatrada / Pedaço mais feliz do sul de Minas''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
vira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Cainissmbulftinis tenterrrainiss qulftenterrinisdainiss inisdomberlainisstrainissdainiss / Penterdainissçomber mainissiniss fenterlinisz domber sulftl denter Minisnainisss.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com um pouco de prática, retirado dos filmes de guerra americanos, pode-se falar alemão em poucos minutos. Era utilizado nos bares e festas por aqueles que, apesar de comunistas, gostavam também de se passar por espiões alemães - sobretudo depois de beber um pouco. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Contei isso para meu primo Eisler no outro dia na escola e, por uns dias, nós só falamos em alemão. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Sieg heil!''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
PS: Os simpatizantes do Eixo usavam um broche com palavra &amp;quot;Roberto&amp;quot; escrita na lapela - de ''Roma, Berlim, Tóquio''. Quando os comunistas descobriram, quem usava o penduricalho, entrava no cacete. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Viagem_%C3%A0_Lua&amp;diff=1427</id>
		<title>Viagem à Lua</title>
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				<updated>2015-10-25T17:31:14Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;No fundo da casa da tia Hercília, na rua Caramuru, Lúcio e seu primo faziam foguetes naquelas férias de 1962. Nada muito complicado ou que demorasse muito tempo. Um tubo de alumínio e pólvora feita na despensa: carvão do fogão a lenha, enxofre comprado na farmácia e salitre na loja de produtos agrícolas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os foguetes eram um sucesso, a vizinhança corria para ver, mas, só anos mais tarde, quando a infância tinha ido embora, é que descobriram que alumínio em pó misturado na pólvora ou permanganato de potássio com açúcar dariam um foguete muito melhor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Mas, o primo do Lúcio tinha lido que a onda agora era foguete de combustível líquido. Então construíram um de gasolina. Coloca-se fogo embaixo, o vapor da gasolina subiria e desceria pelo tubo central, tudo rabiscado num caderno de desenho, portanto infalível. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O foguete foi construído rapidamente e levado no fundo da horta, no meio do milharal, antes do rio. Foi colocado fogo na estopa ao redor do foguete e os dois correram a uma boa distância.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado um minuto, nada. Foram, então, aos poucos, cautelosos, se aproximando da rampa de lançamento. Um fogo mixuruca na base. Então eles se aproximaram e... o foguete explodiu. Uma enorme bola de fogo subiu queimando o milharal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Passado o susto, os dois ficaram muito contentes. Como foguete foi um fracasso, mas como explosão foi muito legal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_cambuiense_voador&amp;diff=1426</id>
		<title>O cambuiense voador</title>
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				<updated>2015-10-25T17:30:21Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/24/Accambuiensevoador.jpg/400px-Accambuiensevoador.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
 José Bueno da Silva fez uma asa &lt;br /&gt;
 Com taquara, pano e embira &lt;br /&gt;
 Para voar pra longe da roça&lt;br /&gt;
 Até a capital do Brasil&lt;br /&gt;
 E quem viu a asa sendo feita no paiol &lt;br /&gt;
 Ele mostrava seu plano de duas etapas&lt;br /&gt;
 - Da porteira no pinheiro, do pinheiro no Rio de Janeiro!&lt;br /&gt;
 A asa ficou pronta e lá vai José Bueno da Silva&lt;br /&gt;
 Voar como os pássaros&lt;br /&gt;
 Sobe na porteira, e da porteira voa até o pinheiro&lt;br /&gt;
 E do pinheiro voa&lt;br /&gt;
 Pro espinhadeiro!&lt;br /&gt;
 E daí nas vendas e nas prosas, na roça e na cidade&lt;br /&gt;
 O povo ria e gozava, quando José passava&lt;br /&gt;
 - Da porteira no pinheiro, do pinheiro no espinhadeiro!&lt;br /&gt;
 E ele nunca mais se meteu nessa coisa de voar&lt;br /&gt;
 Ainda mais quando o padre na missa falou&lt;br /&gt;
 (Depois de citar Ícaro e o alfaiate de Ulm)&lt;br /&gt;
 - Voar é com Santos Dumont&lt;br /&gt;
 Que era rico e que estudou.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=N%C3%A3o_custa_nada_/_Preencher_formalidade_(*)&amp;diff=1425</id>
		<title>Não custa nada / Preencher formalidade (*)</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=N%C3%A3o_custa_nada_/_Preencher_formalidade_(*)&amp;diff=1425"/>
				<updated>2015-10-25T17:29:59Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
1942. Lázaro Silva e Zé da Donana vão a um cassino em Bragança Paulista. Zé da Donana entra, Lázaro Silva é barrado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O senhor não pode entrar, que o senhor está sem gravata - diz o porteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lázaro Silva tira o sapato e a meia vermelha. Passa a meia pelo pescoço, dá o nó e ajeita o paletó.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Assim está bom? - pergunta para o porteiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O senhor, hem? O senhor, hem? Faça-me o favor! Faça-me o favor!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Lázaro Silva entrou no cassino. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(*) '''Noel Rosa''', ''Cem mil réis'', 1936.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/00/Acnaocustanada.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Boa_tarde,_seu_L%C3%A1zaro!&amp;diff=1424</id>
		<title>Boa tarde, seu Lázaro!</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Boa_tarde,_seu_L%C3%A1zaro!&amp;diff=1424"/>
				<updated>2015-10-25T17:28:18Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Meu avô ali na janela vendo Cambuí passar na rua do Meio (depois rua João Moreira Sales). Brincava com uns, pedia cigarro pra outros (lutava para parar de fumar), ironizava outros tantos. Os desafetos políticos passavam do outro lado da rua para não cumprimentá-lo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E tinha as moças que passavam sob a janela e punham a mão no peito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Boa tarde, seu Lázaro!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
E não era por civismo. Era para esconder o decote, ele ali no 2º andar, uma posição privilegiada. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois ele as imitava e ria muito. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9b/Acboatardeseulazaro.jpg/256px-Acboatardeseulazaro.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Lázaro Silva no seu posto de observação.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Dos_perigos_das_met%C3%A1foras_visuais&amp;diff=1423</id>
		<title>Dos perigos das metáforas visuais</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Dos_perigos_das_met%C3%A1foras_visuais&amp;diff=1423"/>
				<updated>2015-10-25T17:27:48Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Maria Magalhães desce a rua do Meio, hoje João Moreira Sales. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando passa pela venda do Juca Lopes, do outro lado da rua, Lázaro Silva, da janela de sua casa, lhe oferece café numa caneca.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Maria Magalhães solta um punhado de palavrões.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É que ela tem o apelido de ''Maria Caneca''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/de/Acperigodasmetaforas.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Ci%C3%AAncia_cambuiense&amp;diff=1422</id>
		<title>Ciência cambuiense</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Ci%C3%AAncia_cambuiense&amp;diff=1422"/>
				<updated>2015-10-25T17:27:16Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Algumas coisas aprendi, quando era menino:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# Para dirigir é necessário ter golpe de vista;&lt;br /&gt;
# Durante a Segunda Guerra os ingleses derrubavam os aviões alemães usando o raio da morte. Os holofotes e as baterias antiaéreas de nada serviam;&lt;br /&gt;
# As bombas atômicas lançadas sobre o Japão tinham o tamanho de uma caixa de fósforo. Não fica claro porque foi usado o B-29, um quadrimotor de 30 metros de comprimento e 43 metros de envergadura pra levar uma bomba tão pequena;&lt;br /&gt;
# O homem nunca foi à Lua, é tudo truque de lente. Isso se aplica as ''Apolos 11, 12, 14, 15, 16 e 17'';&lt;br /&gt;
# Em Belo Horizonte, os aviões tem que desviar das montanhas para não serem atraídos pelo imã do minério de ferro;&lt;br /&gt;
# Maria Zilda, a atriz, é filha de uma pessoa de Cambuí. Ela disse isso numa entrevista que passou de madrugada e não-sei-quem disse que não-sei-quem que viu. &lt;br /&gt;
# Quem escreveu '''O direito de nascer''' foi um cambuiense;&lt;br /&gt;
# Um importante político teve seus bens confiscados. Só não sai na imprensa, porque ela é toda controlada pelo partido dele;&lt;br /&gt;
# Um sujeito passou a sofrer de hérnia de disco depois que jogaram osso de cachorro no telhado da casa dele. O osso era muito preciso, já que as demais pessoas que moravam na casa não pegaram a mesma doença;&lt;br /&gt;
# Um sujeito de Borda da Mata inventou o moto-contínuo. Só não mostra, porque teme que os americanos possam roubar sua ideia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_pasto_do_Laudelino&amp;diff=1421</id>
		<title>O pasto do Laudelino</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_pasto_do_Laudelino&amp;diff=1421"/>
				<updated>2015-10-25T17:26:41Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O pasto que Eisler e o Climalton conheciam bem. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1 – Casa do vô Laudelino e da vó Bel; 2 – Casinha; 3 – Balanço do pé de araticum; 4 – Gaverna do Fantasma. Eu escrevi ''gaverna''; 5 – Valo que separava o pasto do outro terreno; 6 - Bambuzal; 7 – Rio Amazonas; 8 – Horta; 9 – Barranco; 10 – Deserto (campo de pouso de disco voador); 11 – Ipê; 12 – Lagoa. Na lagoa assa pinho. No forno, há sapão. 13 – Tesouro de pirata enterrado; 14 – Pomar e canavial; 15 – Casas dos outros; 16 – Árvores bem altas. 17 – Avenida Tiradentes; 18 – Rua Padre Caramuru; 19 – Buraco de tatu; 20 – Bica ou cascata (altas fontes). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agradecimentos: ''Lilian Eiras, Tito e Ednir''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Almanaque_de_Cambu%C3%AD&amp;diff=1420</id>
		<title>Almanaque de Cambuí</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Almanaque_de_Cambu%C3%AD&amp;diff=1420"/>
				<updated>2015-10-25T17:26:08Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;'''Luís Carlos Silva Eiras'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Amarcord!''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Accapa.jpg/512px-Accapa.jpg&amp;lt;/center&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;center&amp;gt;Para Eisler e Climalton, que conheciam bem o Pasto do Laudelino&amp;lt;/center&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tem que ter um começo e este começo é um fim como se verá. Numa tarde, dois senhores com mais de 60 anos, dois primos, dois grandes amigos, se encontraram depois de muitos anos e a alegria do encontro foi tão grande, que eles se esqueceram de lembrar porque estavam se encontrando: o pai de um deles, tio e também grande amigo do outro, tinha morrido e no dia seguinte seria a sua missa de sétimo dia.&lt;br /&gt;
Os dois se sentaram à mesa e, enquanto a esposa do que tinha perdido do pai servia o lanche, eles conversaram durante quatro horas sobre a infância que passaram juntos. Amigos, filmes, as travessuras, as correrias, a escola, as notas, os avós, as festas, as aventuras, os gibis, a cidade, as mudanças de pensamento. Riram muito até o tempo esfriou, apareceram outros compromissos e marcaram um almoço para o dia seguinte, quando, depois, iriam para a missa.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De madrugada um depois morreu. O outro ficou para escrever isto. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
# [[O pasto do Laudelino]]&lt;br /&gt;
# [[Ciência cambuiense]]&lt;br /&gt;
# [[Dos perigos das metáforas visuais]]&lt;br /&gt;
# [[Boa tarde, seu Lázaro!]]&lt;br /&gt;
# [[Não custa nada / Preencher formalidade (*)]]&lt;br /&gt;
# [[O cambuiense voador]]&lt;br /&gt;
# [[Viagem à Lua]]&lt;br /&gt;
# [[Fale alemão com rapidez]]&lt;br /&gt;
# [[O código secreto do tio Onofre]]&lt;br /&gt;
# [[O nosso primeiro astronauta]]&lt;br /&gt;
# [[A primeira lembrança]]&lt;br /&gt;
# [[Os caçadores de fantasma]]&lt;br /&gt;
# [[O gerador de sinais (nas ondas da Nacional)]]&lt;br /&gt;
# [[Café com leite]]&lt;br /&gt;
# [[O relógio da Igreja]]&lt;br /&gt;
# [[O balão]]&lt;br /&gt;
# [[The dark side of the moon]]&lt;br /&gt;
# [[O romance de dona Juliana]]&lt;br /&gt;
# [[O tratado das Tordesilhas]]&lt;br /&gt;
# [[Lili não vem]]&lt;br /&gt;
# [[O comunista]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[O rei do movimento]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[A compensação]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[Os melhores filmes de todos os tempos de 1957 a 1960]]'', novo''&lt;br /&gt;
# [[Colete preto]]'', novo''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Testes&amp;diff=1419</id>
		<title>Testes</title>
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				<updated>2015-10-25T17:25:30Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''@ Luís Carlos Silva Eiras''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Logowikicambuisurl.jpg/135px-Logowikicambuisurl.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Logowikicambui.jpg/135px-Logowikicambui.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg|| https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma tabela mais moderna:&lt;br /&gt;
{| border=1&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item um || Item dois&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| rowspan=2 | Item tres || Item quatro&lt;br /&gt;
|- &lt;br /&gt;
| Item cinco&lt;br /&gt;
|}&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e6/Streetview.jpg/256px-Streetview.jpg&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1418</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1418"/>
				<updated>2015-10-25T17:20:01Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1417</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1417"/>
				<updated>2015-10-25T17:17:46Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira, de 1988, prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Levantamento fotográfico'''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1416</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1416"/>
				<updated>2015-10-25T17:15:43Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;''Benedito Tadeu de Oliveira''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado '''Cambuí Velho''', também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como ''Campo Largo'', considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado ''pau a pique'',&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro ''tipo colonial'', largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Atualmente na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1415</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1415"/>
				<updated>2015-10-25T17:11:43Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e9/Tpfoto1.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1414</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1414"/>
				<updated>2015-10-25T17:10:23Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0d/Tpfoto2.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1413</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1413"/>
				<updated>2015-10-25T17:08:45Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cc/Tpfoto3.jpg/256px-Tpfoto3.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1412</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1412"/>
				<updated>2015-10-25T17:07:25Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9e/Tpfoto4.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 4 – A cidade na década de 1930''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1411</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1411"/>
				<updated>2015-10-25T17:05:45Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1410</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1410"/>
				<updated>2015-10-25T17:04:24Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.189.240</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1409</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1409"/>
				<updated>2015-10-25T17:03:50Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.189.240: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/69/Tpfoto5.jpg&lt;br /&gt;
''&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/d6/Tpfoto6.jpg/256px-Tpfoto6.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 6 – Processo de arborização da cidade''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/57/Tpfoto7.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No início do século XX houve uma permuta de edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/75/Tpfoto8.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica: &lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/58/Tpfoto9.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/56/Tpfoto10.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Foto 10 – A cidade no final da década de 1950''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A praça da Matriz sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por &lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
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