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		<title>Wiki Cambuí - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<subtitle>Contribuições do usuário</subtitle>
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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1397</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T12:22:06Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1396</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T12:18:52Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
* resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, &lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

	<entry>
		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1395</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T12:17:29Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 1º de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, &lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1394</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T12:01:28Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert, (9) de autoria desconhecida, &lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1393</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T12:00:32Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
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		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:59:38Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
* recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
* recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
* implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
* implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
* garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1391</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:58:25Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
?? recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
?? recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
?? implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
?? implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
?? garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
14&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1390</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:57:56Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
?? recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
?? recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
?? implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
?? implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
?? garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
14&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1389</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:57:32Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;1&lt;br /&gt;
Proposta de Tombamento do&lt;br /&gt;
Jardim da Praça da Matriz de Cambuí&lt;br /&gt;
Cambuí, 19 de dezembro de 2005&lt;br /&gt;
Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubitschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observa-se&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
?? recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
?? recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
?? implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
?? implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
?? garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
14&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências: ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
* Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
* Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
* Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
* Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Benedito Tadeu de Oliveira'', Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1388</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:53:13Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;1&lt;br /&gt;
Proposta de Tombamento do&lt;br /&gt;
Jardim da Praça da Matriz de Cambuí&lt;br /&gt;
Cambuí, 19 de dezembro de 2005&lt;br /&gt;
Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
7&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
8&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
9&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubtschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
10&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observase&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
11&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
12&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
13&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
?? recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
?? recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
?? implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
?? implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
?? garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
14&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
15&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
16&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
17&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
18&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
19&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
20&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
21&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
22&lt;br /&gt;
Referências bibliográficas&lt;br /&gt;
A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;br /&gt;
Benedito Tadeu de Oliveira,&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=Tombamento_do_Jardim_da_Pra%C3%A7a_Matriz_de_Cambu%C3%AD,_MG&amp;diff=1387</id>
		<title>Tombamento do Jardim da Praça Matriz de Cambuí, MG</title>
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				<updated>2015-10-25T11:52:29Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: Criou página com '1 Proposta de Tombamento do Jardim da Praça da Matriz de Cambuí Cambuí, 19 de dezembro de 2005 Benedito Tadeu de Oliveira 2 Na história do Brasil existem poucos exemplos d...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;1&lt;br /&gt;
Proposta de Tombamento do&lt;br /&gt;
Jardim da Praça da Matriz de Cambuí&lt;br /&gt;
Cambuí, 19 de dezembro de 2005&lt;br /&gt;
Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
2&lt;br /&gt;
Na história do Brasil existem poucos exemplos de fundação de cidades que, por&lt;br /&gt;
motivos estratégicos ou de segurança, foram posteriormente transferidas para locais&lt;br /&gt;
mais apropriados. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, fundada na Urca, local&lt;br /&gt;
considerado militarmente inadequado para assegurar a sua defesa, foi transferida em 01 de&lt;br /&gt;
março de 1567 para o Morro do Castelo, atualmente parte do centro da cidade.&lt;br /&gt;
Cambuí, fundada por volta de 1813 no local hoje denominado Cambuí Velho, também teve&lt;br /&gt;
sua sede transferida em 1834 para um local conhecido como “Campo Largo”, considerado mais&lt;br /&gt;
apropriado para o desenvolvimento de uma cidade. Nesse local foi construída uma nova&lt;br /&gt;
capela e, ao seu redor, o casario para abrigar seus primeiros moradores, dando origem à praça&lt;br /&gt;
principal, de onde o povoado se irradiou de forma planejada e geométrica nos sentidos norte,&lt;br /&gt;
leste e oeste. Ao sul a implantação se deu sobre a cumeada de um morro em sentido levemente&lt;br /&gt;
oblíquo à praça principal. No ano de 1834 a capela foi declarada curato e o novo arraial,&lt;br /&gt;
“Curato de Nossa Senhora do Carmo de Cambuí”. A praça, ponto de origem da cidade, destacou-se&lt;br /&gt;
como uma moldura da igreja, orientando a formação dos lotes e as construções civis e&lt;br /&gt;
tornando-se desde cedo área reservada para a circulação e a sociabilidade urbana, local por&lt;br /&gt;
onde passavam as procissões, os enterros e onde as pessoas se encontravam. De Curato&lt;br /&gt;
Cambuí, o arraial foi elevado a Freguesia, por meio da Lei nº 471, de 01 de junho de 1850. A&lt;br /&gt;
criação do município que elevou Cambuí à condição de vila deu-se com a Lei nº 3712, de 27&lt;br /&gt;
de julho de 1889, e a vila foi instalada no ano seguinte, em 19 de janeiro de 1890. A comarca&lt;br /&gt;
de Cambuí foi criada pelo decreto nº 239, de 13 de setembro de 1890. A Lei nº 23, de 24 de&lt;br /&gt;
maio de 1892, elevou a cidade todas as vilas e sedes de comarcas, dessa forma estava também&lt;br /&gt;
Cambuí elevada à condição de cidade.&lt;br /&gt;
Foto 1 – Imagem de Cambuí no início do século XX&lt;br /&gt;
3&lt;br /&gt;
Em uma das primeiras imagens da cidade de Cambuí, provavelmente do início do século&lt;br /&gt;
XX, observa-se no seu ponto mais alto a presença dominante de uma pequena igreja constituída&lt;br /&gt;
de dois corpos em planta retangular, com cobertura em telhado de duas águas. Nessa época,&lt;br /&gt;
no entorno da igreja já estava delimitada a praça principal, composta de edificações da primeira&lt;br /&gt;
geração da cidade, que compreende o período entre a sua fundação e meados da década de&lt;br /&gt;
1930.&lt;br /&gt;
Nas edificações desse período utilizavam-se o sistema construtivo denominado “pau a pique”,&lt;br /&gt;
fundações corridas de pedra, telhas de barro “tipo colonial”, largos assoalhos, portas e janelas&lt;br /&gt;
de madeira de grandes dimensões. Observa-se também nessa época a presença de lotes&lt;br /&gt;
arborizados de grandes dimensões no seu sentido longitudinal. As edificações e lotes de Cambuí&lt;br /&gt;
tinham então características urbanas e arquitetônicas do Brasil – Colônia.&lt;br /&gt;
Foto 2 – Imagem da igreja considerada mais antiga da cidade&lt;br /&gt;
A igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo que, segundo a tradição, foi construída pelo&lt;br /&gt;
Capitão Soares, um dos fundadores da cidade, apresenta em uma das suas imagens mais&lt;br /&gt;
antigas as seguintes características: frontispício simples, com uma portada com verga reta&lt;br /&gt;
sobreposta por cinco janelas, encimada por um frontão triangular marcado por quatro pináculos&lt;br /&gt;
na sua base e uma pequena escultura em forma de uma ave no vértice. Do lado direito da&lt;br /&gt;
igreja havia uma pequena torre sineira, mais baixa que o frontispício, com sua parte superior&lt;br /&gt;
vazada e coberta por um telhado em forma piramidal. Na frente, na sua parte mediana, foi&lt;br /&gt;
instalada uma cruz de madeira e no seu lado direito foi construído um coreto em forma&lt;br /&gt;
octogonal, com estrutura também de madeira.&lt;br /&gt;
4&lt;br /&gt;
Foto 3 – Imagem da igreja reconstruída em estilo neogótico&lt;br /&gt;
5&lt;br /&gt;
Provavelmente no final da década de 1910 a antiga igreja foi totalmente reformada, dando&lt;br /&gt;
lugar a uma outra em estilo neogótico. Essa igreja tinha no primeiro pavimento dois nichos&lt;br /&gt;
laterais em arco e uma pequena escada que dava acesso a uma porta central em arco pleno,&lt;br /&gt;
sobreposto por um outro arco ogival. O segundo pavimento era composto de dois pares de&lt;br /&gt;
vitrais laterais em arcos encimados por arcos ogivais, tendo no seu centro uma porta de&lt;br /&gt;
madeira, também em arco com balaustrada. Na fachada principal da igreja existia uma torre&lt;br /&gt;
central de base quadrangular, com uma janela em arco na sua fachada principal. O coroamento&lt;br /&gt;
da torre era em forma de pirâmide, assentada sobre a terminação triangular das suas fachadas.&lt;br /&gt;
Na frente da igreja foi implantada uma escultura representando o Cristo sobre uma base em&lt;br /&gt;
forma de paralelepípedo, com o globo terrestre em uma das mãos. Nessa fotografia, nota-se a&lt;br /&gt;
presença de postes, bancos, grama, além de vegetação rasteira, dando a entender que a reforma&lt;br /&gt;
da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça.&lt;br /&gt;
Em uma outra imagem da cidade, provavelmente da década de 1930, observa-se novamente,&lt;br /&gt;
no seu ponto mais alto, a presença dominante da igreja, principal marco arquitetônico da&lt;br /&gt;
cidade, agora mais verticalizada, devido à presença de uma torre central.&lt;br /&gt;
As edificações da primeira geração continuavam dominantes nessa época, todavia nota-se&lt;br /&gt;
agora a presença de uma rede pública de eletricidade, dos primeiros sobrados e o surgimento&lt;br /&gt;
de alguns exemplares da segunda geração de edificações da cidade. Essa geração começa a&lt;br /&gt;
surgir a partir da década de 1930 e se desenvolve até aproximadamente meados de 1960.&lt;br /&gt;
Foto 4 – A cidade na década de 1930&lt;br /&gt;
6&lt;br /&gt;
Nesse período o “pau a pique” foi gradativamente substituído pelo tijolo cerâmico, as “telhas&lt;br /&gt;
coloniais” pelas telhas francesas, e as portas, janelas e assoalhos de madeira diminuíram de&lt;br /&gt;
dimensões. As edificações desse período caracterizam-se também pela utilização de detalhes&lt;br /&gt;
decorativos nas fachadas e nos seus interiores.&lt;br /&gt;
Em uma das imagens mais antigas da praça urbanizada, provavelmente da década de 1920,&lt;br /&gt;
as ruas ainda não estão pavimentadas, porém o jardim já possui um desenho simétrico, com&lt;br /&gt;
seis canteiros formando no seu centro um espaço com bancos de madeira e um espelho d’&lt;br /&gt;
água central de forma circular.&lt;br /&gt;
Nessa época foi iniciado o processo de arborização e a introdução das podas topiárias na&lt;br /&gt;
cidade. No entorno da igreja e da praça foram construídas as residências das famílias mais&lt;br /&gt;
importantes – Cavalcanti, Lambert, Moraes, Soares, dentre outras, bem como implantados&lt;br /&gt;
alguns edifícios públicos como o primeiro grupo escolar da cidade.&lt;br /&gt;
Segundo o escritor Levindo Lambert, nos idos de 1905 o Coronel Justiniano Quintino da&lt;br /&gt;
Fonseca praticava a castração de cavalos, e Francisco Amâncio Eiras, a castração de touros em&lt;br /&gt;
plena Praça da Matriz. Ainda segundo o mesmo autor, o comerciante Adriano Colli matava&lt;br /&gt;
porcos em via pública ao lado da Igreja Matriz. Em 25 de junho de 1912 por meio do artigo I&lt;br /&gt;
da Lei nº 143 a praça da Matriz que se chamava Floriano Peixoto passou a chamar Coronel&lt;br /&gt;
Justiniano. Em 04 de abril de 1923, a praça da Matriz foi palco de um dos acontecimentos mais&lt;br /&gt;
trágicos da história da cidade. Naquele dia que Cambuí recebia o Bispo de Pouso Alegre para&lt;br /&gt;
as cerimônias religiosas de Crisma, o Juiz de Direito, Dr. Carlos Francisco d’Assunção Cavalcanti&lt;br /&gt;
de Albuquerque, foi assassinado.&lt;br /&gt;
Foto 5 - Urbanização da Praça da Matriz na década de 1920&lt;br /&gt;
7&lt;br /&gt;
Foto 6 – Processo de arborização da cidade&lt;br /&gt;
8&lt;br /&gt;
Cambuí não foi ocupada por forças militares durante a revolução de 1930. Já na revolução&lt;br /&gt;
constitucionalista de 1932, o 9º Batalhão da Polícia Militar Mineira aquartelou-se no antigo&lt;br /&gt;
grupo escolar Dr. Carlos Cavalcanti. A praça da Matriz foi ocupada por veículos militares,&lt;br /&gt;
animais de montaria e de carga; nesse local funcionou o comando de diversas colunas militares&lt;br /&gt;
instaladas em pontos estratégicos do município à espera do avanço das forças constitucionalistas&lt;br /&gt;
baseadas em Bragança Paulista.&lt;br /&gt;
Em meados da década de 1930 foi iniciada uma nova reforma da igreja. Sua fachada principal&lt;br /&gt;
sofreu grandes alterações, com a implantação de uma porta arqueada e dois pares de vitrais,&lt;br /&gt;
também em arco nas suas laterais. No segundo pavimento foram abertos cinco vitrais, semelhantes&lt;br /&gt;
ao do primeiro; a torre central passou por profundas modificações. No terceiro pavimento, as&lt;br /&gt;
antigas aberturas foram substituídas por aberturas duplas em arco com balaustradas em cada&lt;br /&gt;
face, encimadas por frontões triangulares, onde foram instaladas quatro faces do relógio. Nessa&lt;br /&gt;
reforma, foi implantado um coroamento agudo em forma de agulha, com a imagem de Nossa&lt;br /&gt;
Senhora do Carmo no seu cume. Nas laterais da fachada principal foram construídas duas&lt;br /&gt;
torres simétricas de forma semelhante, todavia com dimensões menores que a central. O&lt;br /&gt;
acesso à igreja passou a se dar por meio de escadarias com balaustradas compostas de um&lt;br /&gt;
percurso central e dois laterais que se afunilavam até o seu patamar frontal. As imagens da&lt;br /&gt;
época mostram, no entorno da praça, um conjunto arquitetônico homogêneo de construções&lt;br /&gt;
de um pavimento, com predominância das características principais da primeira geração de&lt;br /&gt;
edificações da cidade. As reformas da igreja foram acompanhadas por mudanças de aspecto e&lt;br /&gt;
uso das edificações da praça e do jardim. No início do século XX houve uma permuta de&lt;br /&gt;
Foto 7 – A última grande reforma externa da Igreja Matriz&lt;br /&gt;
9&lt;br /&gt;
edifícios públicos. O Mercado Municipal, que funcionava no local do Cine Cambuí, foi transferido&lt;br /&gt;
para a edificação que abrigou o primeiro cinema da cidade, na praça Professor Maximiano&lt;br /&gt;
Lambert, o antigo cinema passou a ocupar o edifício que abrigava o Mercado na praça principal&lt;br /&gt;
da cidade. O Clube Literário Cambuí ocupou em 1953 o edifício na praça da Matriz, nesta&lt;br /&gt;
época já denominada Coronel Justiniano e abrigava desde 1910 o Grupo Escolar Dr. Carlos&lt;br /&gt;
Cavalcanti. Na esquina direita da praça com a antiga rua Direita, hoje rua João Moreira Salles,&lt;br /&gt;
havia a residência do Dr. Carlos Cavalcanti até 1922, local que funcionou posteriormente como&lt;br /&gt;
pensão, prefeitura municipal e hospital maternidade até a primeira metade da década de 1960.&lt;br /&gt;
Algumas edificações abrigaram uso misto, residencial e comercial, como por exemplo a antiga&lt;br /&gt;
“Casa Ideal” posteriormente transformada em “Bar do Gersy”, na esquina direita da praça da&lt;br /&gt;
Matriz com a rua Quintino Bocaiúva. A antiga edificação foi substituída por outra moderna na&lt;br /&gt;
década de 1960, continuando o seu uso misto de residência na parte superior e “Bar do Firmo”&lt;br /&gt;
na parte inferior. Hoje a parte inferior continua com uso comercial e abriga uma loja de roupas&lt;br /&gt;
de propriedade das Confecções Cambuí. Outro exemplo de continuidade de uso misto acontece&lt;br /&gt;
na esquina esquerda com a rua João Moreira Salles. Além de residência, a edificação, que foi&lt;br /&gt;
reformada provavelmente na década de 1930, abrigou a loja “A Barateira”, depois a “Casa&lt;br /&gt;
Froes” e hoje a “Alternativa”. As mudanças de uso e a modernização das edificações provocaram&lt;br /&gt;
mudanças nos seu aspecto interno e externo. A edificação do antigo grupo escolar, construída&lt;br /&gt;
em estilo eclético, foi reformada com linhas art decó para abrigar o Clube Literário e Recreativo&lt;br /&gt;
Cambuí. Essa edificação de um pavimento foi demolida na década de 1970 e deu lugar a um&lt;br /&gt;
edifício moderno de dois pavimentos. A loja “A Barateira”, situada na esquina esquerda da&lt;br /&gt;
praça com a rua João Moreira Salles, que ocupava um exemplar de edificação da primeira&lt;br /&gt;
geração de arquitetura da cidade, também foi reformada com linhas art decó. Na esquina&lt;br /&gt;
direita da praça com a rua João Moreira Salles, outro exemplar da primeira geração de arquitetura&lt;br /&gt;
da cidade, a antiga residência do Dr. Carlos Cavalcanti, foi demolido no final da década de&lt;br /&gt;
1970, e no seu lugar foi construída a nova sede da Prefeitura Municipal, em concreto aparente,&lt;br /&gt;
hoje tombada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Cambuí.&lt;br /&gt;
A última grande reforma da igreja foi acompanhada de obras de urbanização da praça e do&lt;br /&gt;
jardim na década de 1940. Uma imagem da década seguinte registra um jardim simétrico no&lt;br /&gt;
sentido longitudinal, composto de catorze canteiros e um coreto em forma de octógono no seu&lt;br /&gt;
centro. Nessa reforma do jardim, foram feitos novos plantios de árvores, substituídos os bancos&lt;br /&gt;
de madeira e introduzidos novos postes de iluminação, coroados por globos esféricos.&lt;br /&gt;
No final da década de 1950, a cidade passava por um amplo processo de transformação e&lt;br /&gt;
crescimento que ocorria em função da modernização do País no governo de Juscelino Kubtschek.&lt;br /&gt;
Durante esse governo, que promoveu a abertura da rodovia Fernão Dias ligando São Paulo a&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, houve um aumento da migração da população rural para a cidade. As grandes&lt;br /&gt;
mudanças da época provocaram transformações nas edificações da praça, e, no início da&lt;br /&gt;
década de 1960, foi executada a última grande reforma modernizadora do jardim principal.&lt;br /&gt;
10&lt;br /&gt;
Foto 8 – A praça da Matriz na década de 1950&lt;br /&gt;
Em fotografia de um álbum da cidade daquela época, nota-se a praça da Matriz em processo&lt;br /&gt;
final de remodelação do seu jardim, com implantação recente de novos canteiros e árvores.&lt;br /&gt;
Nesse local, apesar de o jardim ter sido construído com materiais e linhas simplificadas, observase&lt;br /&gt;
ainda uma influência da antiga implantação de origem eclética com a tríade clássica básica:&lt;br /&gt;
Foto 9 – A última grande reforma do jardim no início da década de 1960&lt;br /&gt;
11&lt;br /&gt;
dois caminhos principais dispostos em cruz grega, envoltos por um passeio perimetral e um&lt;br /&gt;
estar central. No lugar de um ponto focal no estar central, foram construídos dois pequenos&lt;br /&gt;
canteiros de forma octogonal; nessa implantação foi adotada uma simetria no sentido longitudinal,&lt;br /&gt;
ordenando os oito canteiros com desenhos quase geométricos. Além do novo ajardinamento,&lt;br /&gt;
foram implantados bancos de granitina e nova iluminação utilizando postes de ferro fundido&lt;br /&gt;
com braços que sustentam globos de vidro opaco de cor branca. Até então as ruas da cidade&lt;br /&gt;
eram de terra e cascalhadas. Com a modernização do jardim principal, teve início o calçamento&lt;br /&gt;
com paralelepípedos a partir da praça da Matriz. Na mesma década foi urbanizado o entorno&lt;br /&gt;
da igreja, com a introdução de canteiros e pisos em pedras portuguesas.&lt;br /&gt;
No entorno da praça da Matriz e da área central e mais antiga da cidade surgiram os novos&lt;br /&gt;
bairros, contudo a praça permanecia como o local mais importante da cidade, com suas casas&lt;br /&gt;
comerciais, suas instituições e sua principal igreja, além da forte carga simbólica de ter sido ali&lt;br /&gt;
o ponto de origem urbana. A igreja e a praça da Matriz, centro cívico e religioso, continuavam&lt;br /&gt;
sendo palco dos principais acontecimentos da cidade: as grandes cerimônias religiosas das&lt;br /&gt;
décadas de 1950/60, as paradas cívicas das décadas de 1960/70, os desfiles das escolas de&lt;br /&gt;
samba das décadas 1970/80 e o carnaval de rua, a partir da década de 1990. A praça da Matriz&lt;br /&gt;
sempre foi o lugar do footing, e o desenho do caminho perimetral do jardim, o seu instrumento&lt;br /&gt;
de ordenamento: as mulheres no sentido horário e os homens no sentido anti-horário. No&lt;br /&gt;
início do século, os namoros se davam apenas por meio de uma troca de olhar em linha,&lt;br /&gt;
porém ao longo dos anos, com a mudança dos costumes, também os namoros passaram por&lt;br /&gt;
Foto 10 – A cidade no final da década de 1950&lt;br /&gt;
12&lt;br /&gt;
grandes transformações. Manteve-se, no entanto, a tradição do footing no jardim, que&lt;br /&gt;
seguramente foi o espaço que viabilizou grande parte dos casamentos na cidade. Hoje a praça&lt;br /&gt;
está bastante arborizada, e continua sendo o principal espaço urbano público, além de principal&lt;br /&gt;
área verde da cidade. O seu entorno sofreu grandes alterações a partir da década de 1980, com&lt;br /&gt;
a verticalização acentuada de algumas edificações que escondem de diversas visadas da cidade&lt;br /&gt;
a massa arbustiva do jardim e a igreja, principal marco arquitetônico de Cambuí. Atualmente&lt;br /&gt;
na praça existe uma predominância de edificações modernas surgidas a partir da década de&lt;br /&gt;
1960, quando começaram a ser utilizadas as estruturas em concreto armado, portas e janelas de&lt;br /&gt;
metal e foram abandonados os elementos decorativos. Apesar das grandes transformações, o&lt;br /&gt;
conjunto arquitetônico do entorno da praça ainda mantém alguns exemplares com as&lt;br /&gt;
características arquitetônicas da segunda geração de edificações da cidade como as de nº 71,&lt;br /&gt;
97 e 149. Na vizinha praça Professor Maximiano Lambert também continuam preservados o&lt;br /&gt;
antigo Bazar do Leão e a edificação de nº 140. Ao contrário dos jardins que o antecederam, o&lt;br /&gt;
atual se consolidou como um dos principais componentes da praça, já que tem mantido a sua&lt;br /&gt;
implantação original e vem resistindo ao longo dos anos às grandes transformações da cidade&lt;br /&gt;
e do seu entorno. Hoje o jardim encontra-se em mau estado de conservação, em função do&lt;br /&gt;
desgaste dos materiais de construção, da falta de manutenção preventiva e das diversas&lt;br /&gt;
intervenções incorretas sofridas ao longo dos anos, contudo ainda preserva, além de uma&lt;br /&gt;
vegetação exuberante com distribuição volumétrica concentrada no seu perímetro, grande&lt;br /&gt;
parte do seu desenho, mobiliário e equipamentos originais. Os bancos de granitina são&lt;br /&gt;
documentos importantes da presença, na época da última reforma do jardim, das famílias,&lt;br /&gt;
casas comerciais e de serviços mais atuantes na cidade. Devido aos seus valores, cultural,&lt;br /&gt;
ambiental e afetivo relatados neste documento, o jardim da praça da Matriz constitui hoje parte&lt;br /&gt;
significativa da memória da cidade de Cambuí.&lt;br /&gt;
Por outro lado, a Constituição Brasileira de 1988 prevê:&lt;br /&gt;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial,&lt;br /&gt;
tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação,&lt;br /&gt;
à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais incluem:&lt;br /&gt;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico,&lt;br /&gt;
paleontológico, ecológico e científico.&lt;br /&gt;
&amp;amp; 1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá&lt;br /&gt;
o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,&lt;br /&gt;
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.&lt;br /&gt;
Art. 30 - Compete aos Municípios:&lt;br /&gt;
IX – Promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação&lt;br /&gt;
e a ação fiscalizadora federal e estadual.&lt;br /&gt;
Sendo assim, esta pesquisa histórica e iconográfica, com seus anexos (levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
atual, inventário da vegetação existente, levantamento planialtimétrico com delimitação de&lt;br /&gt;
13&lt;br /&gt;
perímetro de tombamento), constitui um documento de base para que o Conselho Municipal&lt;br /&gt;
do Patrimônio Histórico Cultural inicie o processo de tombamento do jardim da praça da&lt;br /&gt;
Matriz de Cambuí. Após a conclusão do processo de tombamento, recomenda-se a elaboração&lt;br /&gt;
de um projeto de restauração e revitalização do jardim da Praça Coronel Justiniano, com os&lt;br /&gt;
seguintes objetivos:&lt;br /&gt;
?? recuperar o desenho dos pisos utilizado no jardim implantado na década de 1960;&lt;br /&gt;
?? resgatar, na medida do possível, as espécies e o ordenamento original do jardim com&lt;br /&gt;
relação ao eixo de simetria da implantação original;&lt;br /&gt;
?? recompor os equipamentos urbanos da praça, utilizando materiais, sistemas construtivos&lt;br /&gt;
e desenhos semelhantes aos originais;&lt;br /&gt;
?? implantar infra-estrutura moderna na praça, respeitando seu desenho e ambiências&lt;br /&gt;
históricas, bem como utilizando materiais e tecnologia de ultima geração;&lt;br /&gt;
?? implantar um programa de manutenção permanente, criando um Conselho de Gestão da&lt;br /&gt;
Praça com participação da comunidade local;&lt;br /&gt;
?? garantir a preservação da praça utilizando também os instrumentos do urbanismo previsto&lt;br /&gt;
no plano diretor e em uma política de preservação do patrimônio ambiental de Cambuí.&lt;br /&gt;
Na restauração e revitalização da praça da Matriz, deverá estar prevista a implantação de&lt;br /&gt;
equipamentos que informem sobre a sua história, além de uma iluminação cenográfica com&lt;br /&gt;
modernos recursos que valorizem o seu patrimônio cultural e ambiental. Essa futura intervenção&lt;br /&gt;
terá como objetivo contribuir para a preservação da memória, o resgate do passado histórico e&lt;br /&gt;
a valorização dos espaços urbanos de Cambuí.&lt;br /&gt;
14&lt;br /&gt;
Levantamento fotográfico&lt;br /&gt;
Fotos – 11 e 12, eixos longitudinal e transversal.&lt;br /&gt;
15&lt;br /&gt;
Fotos – 13 e 14, caminho perimetral e eixo ortogonal.&lt;br /&gt;
16&lt;br /&gt;
Fotos – 15 e 16, exemplares de poste e banco, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
17&lt;br /&gt;
Fotos – 17 e 18, piso xadrez de cimento, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
18&lt;br /&gt;
Fotos – 19 e 20, canteiros, necessitando de restauração.&lt;br /&gt;
19&lt;br /&gt;
Fotos – 21 e 22, massa arbórea, necessitando de tratamento adequado.&lt;br /&gt;
20&lt;br /&gt;
Fotos – 23 e 24, edificações escondendo parte da igreja e do jardim.&lt;br /&gt;
21&lt;br /&gt;
Foto – 25, processo de verticalização na praça.&lt;br /&gt;
22&lt;br /&gt;
Referências bibliográficas&lt;br /&gt;
A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950, organizado pelo Cônego João Aristides de&lt;br /&gt;
Oliveira, Pouso Alegre, 1950.&lt;br /&gt;
Cine Cambuí – 80 anos na história da Cidade, monografia de Tito Lívio Meyer para a cadeira&lt;br /&gt;
de História do Cinema Brasileiro, FAAP, 1992.&lt;br /&gt;
Biogeografia de uma cidade mineira, Levindo Furquim Lambert, Belo Horizonte 1973.&lt;br /&gt;
Dicionário histórico-geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, editora Itatiaia,&lt;br /&gt;
Belo Horizonte, 1995.&lt;br /&gt;
Fotografias&lt;br /&gt;
antigas (1 a 8 e 10 ) atribuídas a Cornélio Lambert&lt;br /&gt;
(9) de autoria desconhecida&lt;br /&gt;
coloridas de 11 a 22 de João Eiras e de 23 a 25 de Benedito Tadeu de Oliveira&lt;br /&gt;
Cambuí, 19 de dezembro de 2005.&lt;br /&gt;
Benedito Tadeu de Oliveira,&lt;/div&gt;</summary>
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		<id>http://www.cambui.wiki.br/index.php?title=O_comunista&amp;diff=1386</id>
		<title>O comunista</title>
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				<updated>2015-10-25T11:05:39Z</updated>
		
		<summary type="html">&lt;p&gt;189.83.148.238: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;De repente, não mais que de repente, um amigo nosso virou comunista. Tinha chovido muito, ficamos uns dias sem sair de casa e, quando saímos, o fulano tinha virado comunista fanático. Passeando na Praça ou na escola, ele só falava naquilo. E tome dialética, tese, antítese, síntese, materialismo, marxismo, leninismo, burguesia, capitalismo, proletariado, determinismo, imperialismo, mais-valia etc. etc. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- O mundo caminha para o socialismo e daí para o comunismo – dizia com certeza absoluta, apesar de certa dificuldade em explicar o que era uma coisa, o que era outra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Mas como é que você sabe disso? – eu, Eisler e o Lúcio perguntávamos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Eu tenho lido meus livros. Eu tenho estudado. Eu sei coisas que vocês não sabem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Até que um dia, depois de muita insistência nossa, ele resolver nos mostrar os tais livros: ''Estudos sobre o comunismo'' e ''Mestres do embuste'', escritos por J. Edgar Hoover, diretor do FBI.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nessa Hoover não tinha pensado. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2a/Achooverthered.jpg&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''Hoover, the Red''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== [[Almanaque de Cambuí]] ==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>189.83.148.238</name></author>	</entry>

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